A recente visita do presidente Lula à China gerou preocupações sobre a possibilidade de uma maior exposição e dependência do Brasil em relação ao país asiático. Atualmente, o Brasil já possui considerável relação comercial com a China.
O dólar americano é visto como uma moeda global, consolidado graças à independência do Banco Central dos Estados Unidos e à eficiência e eficácia do sistema de Justiça do país. Em momentos de crise, investidores buscam o dólar como um porto seguro, confiando nos fundamentos institucionais que sustentam a economia americana.
Embora a China seja a segunda maior economia mundial, o yuan representa riscos específicos para as reservas internacionais. O Banco Popular da China não é independente, e o renminbi (moeda chinesa) não flutua livremente como outras moedas globais. O governo chinês pode tomar medidas para desvalorizar sua moeda, impactando as reservas denominadas em yuan.
Além disso, o uso da moeda chinesa restringe o Brasil a comprar produtos chineses ou de países que aceitam o yuan, como os membros do BRICS. Isso limita a liberdade do Brasil de escolher fornecedores, possivelmente levando a uma armadilha financeira.
A Huawei, empresa chinesa de tecnologia, foi proibida em diversos países devido a preocupações com a privacidade e o controle governamental. Embora o Brasil possa não compartilhar das mesmas preocupações, há riscos associados ao uso de tecnologia da Huawei, como a descontinuidade na cadeia de valores dos produtos da empresa.
Do ponto de vista político, a visita de Lula à Huawei é vista como uma provocação aos Estados Unidos. Evan Medeiros, especialista em relações EUA-China da Universidade Georgetown, mencionou em um webinar promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) que a visita levanta uma “bandeira vermelha” para os EUA.
Medeiros, ex-assessor da Casa Branca no governo de Barack Obama, afirmou que a estratégia de obter vantagens das relações com ambos os países é compreensível, mas requer sofisticação. Ele alertou sobre o risco de o Brasil passar de uma interdependência para uma “dependência assimétrica” com a China e questionou se o país realmente deseja se aliar a um regime que não defende a ordem internacional com base em normas e direitos humanos.
A visita de Lula à China acendeu um alerta sobre os riscos de uma possível maior dependência do Brasil em relação à nação asiática, além de preocupações com as consequências políticas e econômicas dessa aproximação. O país deve agir com cautela e considerar os desafios e oportunidades envolvidos em fortalecer essa relação.
