O nome do jurista Cristiano Zanin vem ganhando força nos bastidores como um dos favoritos para assumir a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) deixada por Ricardo Lewandowski, que anunciou nesta quinta-feira (30), seu afastamento por aposentadoria no dia 11 de abril. Zanin é próximo do ministro Ricardo Lewandowski, com quem trabalhou na defesa do ex-presidente Lula em diversos processos.
Segundo informações de fontes do Palácio do Planalto, o nome de Zanin agrada ao presidente Lula, que terá a responsabilidade de indicar o novo ministro. O jurista tem se destacado em casos de grande repercussão na área criminal e já foi elogiado por ministros do STF por seu trabalho como advogado. Entretanto, o nome indicado deverá ser sabatinado e dependerá de uma aprovação do Senado Federal.
Outros nomes também rondam as apostas como o do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, assim como, o de ministros de tribunais superiores, como Benedito Gonçalves, Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques. Apesar disso, o entorno do presidente Lula vê a disputa afunilada entre dois postulantes: o advogado Cristiano Zanin e o jurista Manoel Carlos de Almeida. Neste momento, o primeiro é o favorito – há quem diga, inclusive, que Lula já bateu o martelo em seu favor.
O favoritismo do advogado Cristiano Zanin ganhou força após conseguir a libertação do atual presidente, que passou 580 dias presos. Ademais, Zanin foi o autor da tese da suspeição e da incompetência do então juiz e atual senador Sergio Moro nos processos, contra Lula, no âmbito da Operação Lava Jato.
O nome de Zanin tem recebido importantes apoios dentro e fora do STF. O ex-ministro Celso de Mello, um dos nomes mais respeitados do Supremo, defendeu Zanin de críticas acerca de sua atuação na defesa de Lula nos processos da extinta Lava-Jato. De acordo com o ministro, Zanin “ostenta todos os atributos pessoais e profissionais necessários à sua indicação ao Supremo”.
Já o ministro Gilmar Mendes, teceu elogios ao advogado Zanin, dizendo que ele fez o atual presidente da República “ressurgir das cinzas”, em entrevista ao programa “Reconversa”, do advogado Walfrido Warde e do jornalista Reinaldo Azevedo.
A ministra Cármen Lúcia, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, no início do mês, reforçou que também não vê impedimento sobre sua possível nomeação. “A circunstância de ter passado pelo Executivo ou a ligação com o próprio presidente não macula de alguma forma o indicado. Acho que a discussão tem que ser: a Constituição está sendo cumprida? A Constituição diz que o ministro deve ter notório saber jurídico e reputação ilibada. E este advogado tem e já demonstrou”, disse Cármen Lúcia.
No Congresso, líderes ligados ao presidente Lula ponderam que ele pode reavaliar essa escolha, pela necessidade de considerar uma eventual perda de capital político em razão do que será necessário ser feito em termos de negociações e convencimento para aprovar o nome de seu advogado no Senado. Interlocutores de Lula afirmam que a Casa Alta, liderada por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), não criará obstáculos para a aprovação de Zanin.
Embora Lula já tenha dito publicamente sua preferência na escolha de Cristiano Zanin, Manoel Carlos de Almeida Neto segue entre os cotados em razão de sua grande proximidade com o ministro Ricardo Lewandowski. Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (30), o magistrado disse que não teve nenhuma conversa com o petista sobre a escolha de seu sucessor.
Entretanto, nos bastidores, o ministro Lewandowski tem sim trabalhado a favor da escolha de seu ex-auxiliar, Manoel Carlos de Almeida Neto que foi secretário-geral do STF entre 2016 e 2018, e também foi chefe de seu gabinete. Ambos são constantemente vistos juntos por Brasília, o que aumentou os rumores, como no evento gastronômico de lançamento de um livro organizado pelo ministro Gilmar Mendes, ocorrido no início deste mês.
