Diversos bancos como Bradesco, Itaú, Pan, Banco Mercantil do Brasil, C6 Bank, dentre outros, suspenderam nesta sexta-feira (17) suas operações de empréstimo na modalidade consignado. A suspensão ocorre em decorrência do Conselho Nacional de Previdência Social ter aprovado uma redução nos juros do empréstimo consignado do INSS.
O Banrisul, segue operando normalmente o crédito consignado INSS em sua rede de atendimento própria, formada por agências, postos bancários e aplicativo. No entanto, novas operações dessa modalidade foram suspensas pela Bem Promotora, um dos canais de relacionamento do Banrisul.
Executivos do setor já vinham alertando ao mercado e ao governo sobre o risco de corte da oferta desse tipo de produto de empréstimo caso houvesse a redução dos juros. A avaliação dos executivos do setor é a de que a margem do produto tenderia ficar negativa com a dimiuição dos juros, o que poderia tornar inviável a concessão de crédito para uma parte dos aposentados, em especial aqueles que apresentam maior risco de inadimplência.

O Banco Mercantil, cujo foco de atuação é sobre o público acima de 50 anos, diz que a suspensão pode ser temporária. “Estamos avaliando a situação e ajustando o produto às novas condições. O cartão consignado e as demais modalidades de crédito pessoal continuam vigentes“, diz o banco. O Banco Pan também se posiciona com uma suspensão temporária para adequações necessárias às novas regras.
A Febraban ainda não se posicionou sobre o movimento de suspensão dos consignados pelos bancos. Em nota, a federação afirmou que cada instituição tem sua estratégia comercial e garante não ter havido qualquer decisão coletiva.
“Os bancos que ofertam o consignado não reportaram à Febraban a suspensão da linha de consignado para aposentados do INSS“. “Como essa decisão não é uma iniciativa setorial, cada banco tem sua política comercial de concessão de crédito, não cabendo reportar à Febraban as linhas de crédito que concedem ou deixam de conceder“, diz o comunicado.
Ainda nesta semana, a Febraban divulgou um comunicado em que já apontava preocupação com o risco de suspenção dos consignados.
“Os patamares de juros fixados não suportam a estrutura de custos do produto e os novos tetos têm elevado risco de reduzir a oferta do crédito consignado, levando um público, carente de opções de crédito acessível, a produtos que possuem em sua estrutura taxas mais caras (produtos sem garantias), pois uma parte considerável já está negativada“, diz o comunicado.
Outra entidade do setor que representa bancos de pequeno e médio porte, a ABBC (Associação Brasileira de Bancos), também divulgou comunicado semelhante sobre riscos de haver suspensão do produto.
“A redução traz riscos à continuidade das suas atuações nesta operação com a implementação dos novos tetos, o que poderá resultar em concentração de mercado em poucos bancos, prejudicando a concorrência na prestação de serviços ao aposentado, em especial para o público não-bancarizado“, diz o comunicado da ABBC.
É importante ressaltar que, embora a suspensão dessa medida possa prejudicar uma parcela vulnerável da população, como os aposentados que dependem desse tipo de crédito para necessidades médicas por exemplo, por outro lado, pode representar um alívio para os superendividados que só conseguem obter empréstimos nessa modalidade.
Muitos aposentados acabam se prejudicando ao comprometer uma margem significativa de suas rendas com empréstimos consignados. Esse público acaba por cair em um ciclo vicioso de dívidas se tornando vítimas das ofertas de consignados, muitas vezes realizadas por captação ativa via ligação de call centers.
É fundamental encontrar um equilíbrio que atenda às necessidades daqueles que realmente precisam de crédito consignado, sem expor a população a um cenário de endividamento crescente e insustentável e principalmente, sem os coagir por meio de ligações com ofertas.
Colunista de assuntos de economia do UDataNews
